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Exposição Fotográfica do Foto Clube SC e a Pós Graduação em Fotografia da Uniasselvi na Fundação Indaialense de Cultura

publicado em: 30/07/2012

 

REVELAÇÕES II
 
Se a escritora Clarice Lispector dizia que para ela algo faltava à fotografia, o filósofo e fotógrafo Jean Baudrillard por sua vez afirmava que algo era retirado constantemente nas imagens fotográficas: a mobilidade, o som, o cheiro, e até mesmo o significado. Nessas ausências, nesses vazios, nesses espaços côncavos abertos pela fotografia, inserem-se os trabalhos destes fotógrafos, novos, velhos, conhecidos, desconhecidos, experientes, iniciantes, profissionais ou apenas amantes da arte fotográfica, mas ligados de uma maneira especial a cidade de Indaial. São artistas que trabalham em um mesmo sentido: dar corpo a essas sombras e reflexos da memória que tentam constantemente se ausentar da fotografia. De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. O poeta Peter Urmenyi nos lembra que a fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são.
Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-las voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória, mas podemos registrá-las, guardá-las e revivê-las através de uma fotografia, afinal, uma boa foto é aquela que abre a sua imaginação, que traz emoção, novos lugares, velhos amigos, desperta desejos e lembranças. A Fotografia é uma lição de amor e ódio ao mesmo tempo. Uma interrogação e uma afirmação. Mas é, sobretudo um beijo muito cálido. A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora? A emoção vai crescendo e, de repente, pronto. Explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos e não podemos recomeçar. O desenho, a pintura, é uma meditação enquanto que a foto é um instante. Pode-se apagar um desenho e fazer-se outro. Tem-se todo o tempo pela frente. Mas com a foto, há uma espécie de angústia constante, pelo fato de estar presente. Mas é uma angústia muito calma.É preciso esquecer-se, esquecer a máquina, estar vivo e olhar. A fotografia é o meio de expressão do instante e só o instante importa, ou seja, estar presente, ver, participar, testemunhar, compor um quadro, uma memória, uma vida, um instante que passe uma emoção.Henri Cartier-Bresson diz que “Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração.” “Não fazemos uma foto apenas com uma câmera: ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos,” nos lembra Ansel Adams, ao que Sebastião Salgado acrescenta: “Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda a sua cultura”.
A beleza pode ser vista em todas as coisas, ver, compor a beleza é o que cria uma fotografia, a certeza de que existem coisas que ninguém veria se você não tivesse fotografado. Os trabalhos dos membros do Foto Clube de Santa Catarina e dos alunos do curso de pós-graduação em Fotografia: Processos Criativos, comunicação e linguagem visual, nos colocam diante destas questões e nos fazem refletir sobre a construção de memórias imaginárias e a fragilidade de nossas recordações através de fotografias de momentos, coisas, pessoas e lugares distintos, buscando reter ainda mais aqueles momentos que a imagem fotográfica revela, ao mesmo tempo em que permite que se percam, se omitam, se repitam, evidenciando a imprecisão de nossas recordações. Afinal a vida é uma contradição onde não há conclusões, apenas o hoje.
 
Marco Struve – Curador